Parece quesó tenho memóriavisual e auditiva. Às vezesmepego tentando lembrar o porquê de tanta disminésia. Demência...? Precoce? No caso desta música - e lá vem o com- passo ¾ mevisitar - nãoconsigorecordarcomo en- trei “numas” de fazer uma versãoparaumclássicotão consagrado. Talvez, ao rever o filme “Breakfast at Tiffany´s” - vertido para “Bonequinha de Luxo” - comLedaFlora (ela, jornalista e escritora, talvez, no meupensamento, no papel do escritornorte-americanoPaul “Fred” Varjak, personagem de George Peppard, o galã), anosatrás, quiçá, ao ver-ouvir Audrey Hepburn à janela, comumviolãobembrasileiro - Giannini, porcerto -, tenha “baixado o santo” e tive de fazê-la (a letra).
Não é uma tradução. É uma versão e, sabe-se, há diferenças. Mas permanece o problema da valsa (o tal do ¾). Estou invocadocomisto. Volta e meia, neste precário, intermitente blog, surgem memórias ¾. E tudo o queeu aprecio, em valsas - preconceituosamente, é claro - é a facilidade de se tecerletras “bem casadas”. A tão mencionada prosódia.
Ou seja: não há históriapara se contar a respeito desta letra. Sósuspeitas. Verossímeis, claro! Revertalfilmeme motivaria a tentar uma versãopara “Moon River”.
Fatosreais: telefonei paraNova York. Falei comal- guém da “Famous Music”, detentora dos direitos auto- rais da obra. Telefone? --- 004-101-212-6547-433 --- (deve serumnúmero da- quelas centrais antigas, aindaemfuncionamento, umcerto “repeito tecno- lógico”, assumo). Pedi- ram-me paraenviar uma carta “especificando deta- lhes” – “specifying details”, - beleive me! - números de prensagem, cantor(a), editora, sociedade recolhedora (ECAD, não sabem!). Nem responderam, é claro! Meu “caô”: produzirumdiscopara Célia Rabelo, cantora aindanãoconhecida ao redor do mundo - o mundonão sabe o “devalor” desde Marx -, onde esta música seria, talvez, a cereja no bolo. 10.000 cópias de umdiscoporvir a ser ("mais-valia, diria um Marx "jazzy"). Faltou fermentooualguém abriu a portaquando ventava láfora. Ou acharam queeu interpretava o José da Silva Pereira, atorbrasileiro, desconhecido “worldwide”, intérprete do “maridopotencial” - José Luis de Villalonga (lembrem-se: a capital do Brasil, à época, era Buenos Aires), declarando, semcomprovação, grandespropriedadesruraisnospampas. Ou os pampas eram argentinos e eunem percebi. Porcerto, deduzo hoje, 10.000 discos eram e continuam sendo apenasumnúmeroabaixo do “traço” nas vendagens norte-americanas. Concluo o parágrafo: essescaras, porgringos (masnão ar- gentinos), têm muito a oferecer ao mundo. Penaquenão o fazem nas coisas “de mais valor” (ex-mais-valia?).
Letra: é o meurio: RioGrande, MinasGerais. São Paulo fica do outrolado. Masquem se importa? Elessãotãonorte-americanos!. Tambémnão é o “Rio da Lua”, descrito por Johnny Mercer. No meu, nãopoderiaexistir “huckleberry friends”. Não compreendo a expressão. O dicionáriourbandictionary.com traz duas definições para o termo. 1) A very special, good friend; 2) a fuck buddy (also seehuckfinnandhuckfinning), siginficando "we're not serious... we're just huckleberry friends.", segundo a enciclopédia wikipedia. Truman Capote escreveu o livro que dá origem ao argumento do filme. Apesar de não me parecer importante, há um problema de bissexualidade na personagem de Audrey, ou no Truman real, não entendi de novo. Talvez, também, o problema tivesse se estendido ao Johnny. Mas não ao Douglas, apesar do nome saxônico, hétero. Para fazer juz (jazz, alike), segue a letra original:
Moon River
Música de Henry Mancini
Letra de Johnny Mercer
Moon River
wider than a mile
I'm crossing you in style
someday
Oh! dream maker
you heart breaker
wherever you're going
I'm going your way
Two drifters
off to see the world
There´s such a lot of world
to see
We're after the same
Rainbow´s end
waiting round the bend
My huckleberry friend
Moon river and me
Curiosidadesemrelação ao filme (www.wikipedia.org e contribuições próprias):
Dirigido por Blake Edwards (PanteraCor-de-rosa, comtema musical de Henry Mancini, as ever), deveria ter sido por John Frankenheimer. Que fez Grand-Prix, entreoutros. Entrementes, Steve McQueeen, que estava escalado para co-interpretar “Breakfast at Tiffany´s” com Marylin Monroe (antes, Kim Novak foi cogitada), falhou emfunção de outroscompromissoscinematográficos. Marylin estaria, então, com o presidenteou pegando algunsdiamantesemalgumlugar da América surreal. Grand-Prix, na minhaopinião, deveria ter sido estreladopor Steve McQueeen, porsuavervetão automobilística quanto a de Paul Newman. Mas o foi por John Garner. Vicissitudes? Steve McQueeen, penso, poderiater sido o escritor “Paul Varjack” ideal. Mas estava numa série de TV: Wanted: Dead or Alive. Morreu? Apesar de hétero, eu o acho um “gato”. Morto, para o cinema, masum “gato”. Se, para a vidamorto, entãonãoeraumgato: menosquesetevidas; O quemeleva ao “nameless cat”. Do filme. Eram dois, ounove, diz outrosite. “Números”, diz a bíblia. Fico com o filme: “A couple” (dois) “of poor nameless slobs”. Eu e Holy Golightly (personagem). Eu, também gato, também “nameless”, e Audrey Hepburn. Em “UmRio”. Somewhere in MinasGerais, not the “Pampas”.
Moon River
Vesão nãomaisqueapócrifa de Douglas Umberto de Oliveira
Uma saga, a “feitura” deste disco. Eu fazia “aulas” de composiçãocom o Luiz Graci- liano, barroprimordial, aípelosidos de 2001, 2002 e 2003. Foi quando surgiram as condiçõespara “produzir” umdisco. Senti quetinhamaterialmaisquesuficiente. Diversida- de de ritmos, temaslegais, abordagens, semfalsamo- déstia, consistentes. Faltava a intérprete. LedaFlora, tessela primeira, tinhafeitoaulas de cantocom o Luiz e sugeriu uma aluna dele: Luciana Oliveira. A procurei, expus o projeto e ela embarcou. Segunda tessela. Pedi que providenciasse os músicos, quem quisesse. Trouxe-me o Hamilton Pinheiro, terceira tessela, seubaixo, suasconcepções musicais e uma novaamizade. O painel começava a tomarforma. HP carreou os outrosmúsicos, todos de primeiralinha, algunsconhecidos de outras eras. Enumero, tentando compor o mosaico “maisquebonito”: José Cabrera, Leonel Laterza, Paulo André Tavares, Sandro Araújo, Félix Júnior, Carine Correa, Anderson Pessoa, Ângela Fajardo, Sérgio Morais, Fernando Machado, Alberto Sales, Carlos Vinícius. Claro, também, técnicos primorosos e engajados, Wilson Borges e Pauly de Castro, e umfotógrafoquerido, Juan Pratignestós.
E, depois dos arranjos, o paraíso dos criadores, o nirvana dos músicos: o estúdio de gravação. Sóque, desde a primeirareunião “de negócios”, acertei com HP que existia a necessidade de se compor uma música ”tema”. Algoque desse a “liga”, que unisse a diversidade rítimica, melódica, temática, tudo. Paraque se assomasse algo das peçassoltas, as tais tesselas. E eleme apareceu, temposdepois, com a partitura ao lado. Estava escritaem 3/4 “parafacilitar a leitura”, me disse. Emalgum dos ensaios, descobri quetalleitura exigia uma “virada de pé” paraexecutar o verdadeiroritmocorretamente, o 6/8, numa “convenção”. Universo interessante, este dos músicos. HP, também descobri, parece gostar de pés, que estão na letra, masnãogosta da palavra “umbigo”, substituída na versãofinalpor “joelhos”. Amistosaintervençãoque tem mepermitidocravar “ajustes melódicos” sobre outras músicas dele e deixou a portaabertaparaqueele mude, sempreque quiser, minhasletras.
Sei hojeque Luciana tinha, e tem, outrosdotes musicais insuspeitados. Soubera, teria estimulado participação mais aprofundada na concepção do disco. Propus atéparceria musical quando soube quetambém criadora. Porrazõesqueme escapam, aindanão aconteceu. Talvezporelaperceberquãopromíscuo sou emtermos de parcerias musicais. Seusegundodisco, homônimo, mostra a veianegraemsuaplenitude: sambas, afoxés, funks, outras referênciasafro. Admiro e reverencio. E a vervepoética? Querida, mequedo a seuspés: todoseu!