Uma saga, a “feitura” deste disco. Eu fazia “aulas” de composiçãocom o Luiz Graci- liano, barroprimordial, aípelosidos de 2001, 2002 e 2003. Foi quando surgiram as condiçõespara “produzir” umdisco. Senti quetinhamaterialmaisquesuficiente. Diversida- de de ritmos, temaslegais, abordagens, semfalsamo- déstia, consistentes. Faltava a intérprete. LedaFlora, tessela primeira, tinhafeitoaulas de cantocom o Luiz e sugeriu uma aluna dele: Luciana Oliveira. A procurei, expus o projeto e ela embarcou. Segunda tessela. Pedi que providenciasse os músicos, quem quisesse. Trouxe-me o Hamilton Pinheiro, terceira tessela, seubaixo, suasconcepções musicais e uma novaamizade. O painel começava a tomarforma. HP carreou os outrosmúsicos, todos de primeiralinha, algunsconhecidos de outras eras. Enumero, tentando compor o mosaico “maisquebonito”: José Cabrera, Leonel Laterza, Paulo André Tavares, Sandro Araújo, Félix Júnior, Carine Correa, Anderson Pessoa, Ângela Fajardo, Sérgio Morais, Fernando Machado, Alberto Sales, Carlos Vinícius. Claro, também, técnicos primorosos e engajados, Wilson Borges e Pauly de Castro, e umfotógrafoquerido, Juan Pratignestós.
E, depois dos arranjos, o paraíso dos criadores, o nirvana dos músicos: o estúdio de gravação. Sóque, desde a primeirareunião “de negócios”, acertei com HP que existia a necessidade de se compor uma música ”tema”. Algoque desse a “liga”, que unisse a diversidade rítimica, melódica, temática, tudo. Paraque se assomasse algo das peçassoltas, as tais tesselas. E eleme apareceu, temposdepois, com a partitura ao lado. Estava escritaem 3/4 “parafacilitar a leitura”, me disse. Emalgum dos ensaios, descobri quetalleitura exigia uma “virada de pé” paraexecutar o verdadeiroritmocorretamente, o 6/8, numa “convenção”. Universo interessante, este dos músicos. HP, também descobri, parece gostar de pés, que estão na letra, masnãogosta da palavra “umbigo”, substituída na versãofinalpor “joelhos”. Amistosaintervençãoque tem mepermitidocravar “ajustes melódicos” sobre outras músicas dele e deixou a portaabertaparaqueele mude, sempreque quiser, minhasletras.
Sei hojeque Luciana tinha, e tem, outrosdotes musicais insuspeitados. Soubera, teria estimulado participação mais aprofundada na concepção do disco. Propus atéparceria musical quando soube quetambém criadora. Porrazõesqueme escapam, aindanão aconteceu. Talvezporelaperceberquãopromíscuo sou emtermos de parcerias musicais. Seusegundodisco, homônimo, mostra a veianegraemsuaplenitude: sambas, afoxés, funks, outras referênciasafro. Admiro e reverencio. E a vervepoética? Querida, mequedo a seuspés: todoseu!
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